Brasileiro Márcio Monzane é eleito secretário geral regional da UNI Américas

DATA: 13/12/2016


 

 

A 4ª Conferência da UNI Américas, encerrada na sexta-feira (9), em Medellín, na Colômbia, aprovou seu Plano estratégico 2016-2020 para fortalecer a organização dos trabalhadores nas Américas e no Caribe e combater a onda neoliberal, que retornou com força, atingindo a classe a trabalhadora em todo o Continente. O argentino Rubén Cortina foi reeleito presidente da UNI Américas e Márcio Monzane, funcionário do Santander e ex-diretor do sindicato dos Bancários de São Paulo, foi eleito secretário geral regional.

Os delegados e delegadas da Conferência também elegeram Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT, como titular da Área V do Comitê Executivo da entidade, que engloba Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Rita Berlofa, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e presidenta da Uni Finanças Mundial, foi eleita 1ª Suplente e Mario Raia, secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, 2º suplente da Área V. Alejandra Estoup, da Argentina, foi eleita presidente da UNI Américas Mulheres e a brasileira Neiva Ribeiro Barros, de São Paulo, vice-presidente. Elaine Cutis, secretária da Mulher da Contraf-CUT, foi eleita titular do Comitê Executivo Regional, do Grupo de Mulheres.

O evento que começou no dia 7 de dezembro contou com a participação de 142 delegados de 126 sindicatos de 30 países. Além de 106 observadores e 265 convidados. A UNI Américas é o braço continental da Uni Global Union, sindicato que reúne entidades de diversas categorias profissionais de 140 países.

 

“Precisamos de consciência política e massa crítica”, afirma Monzane

Márcio Monzane apontou a que a 4ª Conferência discutiu temas extremamente importantes, como a paz na Colômbia, o novo mundo do trabalho e como continuar a fortalecer os sindicatos, através da organização e da negociação coletiva.

“O momento atual está muito complicado, com avanços das forças de direita. Além de organizar precisamos criar consciência política e massa crítica, que possa fazer o enfrentamento e garantir os direitos dos trabalhadores em nossos setores”, alertou o brasileiro.

Monzane também destacou que a partir de janeiro da UNI Américas já começa a implantar seu plano de ação.  Nós queremos continuar crescendo, mas queremos unir forças com outros atores sociais, como estudantes, comunidade LGBT, movimento negro e, a partir daí, criar uma grande força progressista de esquerda, que possa fazer a resistência e manter os direitos sociais que conseguimos na última década”.

 

“Nossos princípios não mudam”, disse Cortina

Em seu discurso, após a reeleição, Rubén Cortina disse que a América Latina enfrenta desafios reais no mundo do trabalho em mudança. "Nosso futuro está em unir a América Latina, nosso futuro está na integração, sem esquecer os nossos amigos nas Américas do Norte que são nossos parceiros neste Novo Mundo do Trabalho.

O presidente da UNI Américas também afirmou que os trabalhadores da UNI precisam continuar derrubando barreiras. "Nossos princípios não mudam, manteremos nossas bandeiras que exigem trabalho decente, negociação coletiva e sindicatos fortes, devemos proteger esses ideais no Novo Mundo do Trabalho porque sabemos que não vai absorver a próxima geração de trabalhadores.

 

“Contraf-CUT fez importantes debates”, ressalta Roberto von der Osten

Para Roberto von der Osten, a Contraf-CUT encerrou a participação na 4º Conferência Regional da UNI Américas com importantes debates. Roberto mencionou as discussões das moções, que trataram do crescimento sindical, de um planejamento estratégico para crescer sindicalmente no continente, de forma a construir mais unidade, entendendo as cadeias de produção globais para que elas sejam mais justas e tragam trabalho decente para todos.

“Fizemos um grande debate de como fazer para construir um movimento que permita uma justiça social maior. Porque o mundo não é do capitalismo, não é das indústrias, o mundo é da humanidade, o mundo é das pessoas, por isso, é muito importante que a gente preserve os direitos humanos, que a gente consiga transformar o mundo em um lugar justo fraterno e igualitário”, destacou.

Também ressaltou os debates sobre a paz e a justiça social na Colômbia e o caminho para uma América sustentável.

“Estamos entrando em um novo ciclo de situação social, nós precisamos de estabilidade social, política econômica, precisamos que a paz seja preservada, que a democracia principalmente seja preservada nas américas tão assoladas por ditaduras militares, civis, por governos que eliminam direitos de trabalhadores e colocam em risco a estabilidade a todo o momento nas Américas. Debatemos processos de integração regional para construir uma ordem mundial mais democrática, mais igualitária, mais respeitosa com os direitos humanos e ambientais”.

A Conferência aprovou moções que tratam da inclusão dos trabalhadores no novo mundo digital, sobre a igualdade de gênero nos locais de trabalho e nas organizações sindicais e a questão de como organizar a juventude neste novo mundo do trabalho.

O secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Mario Raia, fez parte da mesa diretiva da Conferência como co-presidente do Comitê de Resoluções e apresentou moções em defesa da classe trabalhadora em toda a América.

"O Comitê de resoluções atuou durante o ano em diferentes reuniões e na própria Conferência com as tarefas de debater propostas de alteração, sintetizar, unificar e elaborar um relatório final com recomendações para a aprovação das moções enviadas pelas afiliadas da UNI Américas", explicou o secretário.

 

“Saímos desta conferência mais fortes e mais unidos”, disse Rita Berlofa

Ao final da Conferência, a atual presidenta da UNI Finanças, Rita Berlofa, parabenizou o encontro, os debates e a nova composição da direção da UNI Américas.

“Hoje nós encerramos a 4ª Conferência Regional UNI Américas onde elegemos o nosso companheiro Márcio Monzane como secretário regional UNI Américas em substituição a companheira e amiga Adriana, que fez um excelente trabalho, fortalecendo o sindicalismo e a nossa unidade de trabalhadores na região. Além de dar visibilidade à UNI e aos trabalhadores. Agradeço o seu incrível trabalho e desejo ao companheiro Monzane sucesso neste novo desafio, porque competência e comprometimento não lhe faltam. Foi uma conferência incrível, cheio de trabalho, união e energia. Tenho a certeza de que saímos desta conferência mais fortes e mais unidos para fazer frente aos ataques à democracia aos ataques aos direitos dos trabalhadores. Somos UNI. Somos fortes”, finalizou.

 

Estela de Carlotto recebe prêmio da UNI-Américas pela sua bravura

Presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto recebeu o prêmio UNI Freedom from Fear’, por 40 anos de luta pelos desaparecidos na Argentina, de imensa fortaleza e bravura. "Não queremos mais uma morte por causa da violência", disse ela.

Em 1977 a filha grávida de Estela Carlotto, Laura foi presa pelo regime argentino. Eles a deixaram viver o tempo suficiente para ter o bebê antes de matá-la. Com outros, Estela formou as ‘As Avós da Plaza de Mayo’ para encontrar o neto que nunca conhecera. Em 2014 encontrou seu neto Ignacio.

"A ditadura pensou que nós desistiríamos. Eles eram chauvinistas e estavam errados. As avós ainda estão aqui há quarenta anos e continuarão a procurar netos desaparecidos e bisnetos roubados pela ditadura".

Fonte: Contraf-CUT
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