É preciso reagir ao desmonte dos bancos públicos

DATA: 10/01/2017


 

 

Antes mesmo do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o então vice-presidente Michel Temer já dava o tom do que seria seu eventual governo. No fim de abril de 2016, declarava: “privatizar tudo o que for possível”. E, o que era uma intenção, vai se tornando um fato com o desmonte promovido pelo governo nos bancos públicos.

Em artigo, publicado pela Rede Brasil Atual, o jornalista Mauro Santayana questiona as intenções de Temer ao colocar em prática o verdadeiro desmanche no BNDES, Caixa e Banco do Brasil. Para ele, a eliminação de mais de R$ 100 bilhões de ativos do BNDES e os planos de redução do número funcionários e agências na Caixa e no BB não encontram justificativa econômica plausível.

“Assim como não existem grandes países sem grandes empresas nacionais, também não existem grandes nações que possam prescindir de um forte sistema financeiro público para que se desenvolvam estratégica e soberanamente. Não se trata apenas, como ocorria no passado, do direito de cunhar moeda, mas de ter instrumentos que possam garantir que a roda da economia continue girando”, afirma Santayana.

“Nos últimos anos, o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram cruciais para manter o país crescendo, investindo na ´bancarização` da população e na expansão do crédito. O volume de crédito em circulação, que caiu de 36% para 23,8% do PIB nos governos de FHC, mais do que duplicou nos governos do PT, até atingir 54,2% em dezembro de 2015. Sem financiamento à indústria e à agricultura teria sido impossível, para o país, enfrentar a longa sucessão de graves crises que vêm atingindo o mundo ocidental e o capitalismo desde 2008, quando a banca privada se retraiu, deixando de emprestar dinheiro e passou a investir, como sempre fez historicamente, basicamente em títulos do governo”, argumenta.

De acordo com o jornalista, sob a justificativa de um irrelevante abatimento da dívida pública, a eliminação de ativos do BNDES é apoiada pela grande mídia e baseada em forte componente ideológico.

"Reforça essa política de terra arrasada com a interrupção e eliminação, pela atual diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, de projetos de exportação de serviços de engenharia de empresas já atingidas pelo tsunami punitivo da Operação Lava Jato em bilhões de dólares. Com isso, morrem no nascedouro milhares de empregos que poderiam surgir por alguns dos maiores expoentes da engenharia nacional e por centenas de médias e pequenas empresas de sua cadeia de fornecedores”, critica o jornalista.

 

Caixa e BB

Segundo Santayana, o governo Temer apela para a falsa “desculpa da eficiência” ao tentar justificar o desmanche já em curso nos bancos públicos. “BB e Caixa somaram lucros de R$ 21,6 bilhões em 2015, aumento de 65% em relação a 2009”.

O jornalista explica, ainda, que não é possível compreender o ataque a essas instituições a não ser como um desejo de abrir mercado para os bancos privados e evitar que, sempre que necessário, essas empresas públicas regulem indiretamente o mercado, baixando taxas de juros e tarifas.

“De que tipo de ´reestruturação` esses bancos precisam? De mandar gente embora para fazer com que os que vão ficar trabalhem o triplo – cada funcionário de agência do Banco do Brasil já é responsável, em média, pelo atendimento a quase 450 contas da instituição –, e comecem a cometer falhas, e fazer os clientes pensarem em migrar para os bancos privados?”, questiona.

Entretanto, Santayana vê outras possíveis razões para o desmanche. “Essa deliberada e injustificável estratégia de sabotagem e sufocamento dos bancos públicos pode ter, também, outras intenções. Como sempre ocorre, ela abre caminho para que se possa dizer que eles estão operando mal ou perdendo dinheiro, e que devam ser privatizados a médio prazo, eliminando-os, totalmente, da economia nacional”, destaca.

“Assim como ocorre no caso da Petrobras, a sociedade brasileira precisa responder ao desmanche e à campanha contra a banca pública decisivamente. Os bancários e os municípios prejudicados devem entrar na Justiça contra o fechamento de agências, levando ao Judiciário e ao Ministério Público informações relativas à verdadeira situação financeira dos bancos estatais e sua importância econômica e social no contexto do processo de desenvolvimento brasileiro”, conclui o jornalista.

Fonte: Bancários/SP
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